Como a hiperautomação pode transformar processos empresariais de forma eficiente?

Giada Montelli
Giada Montelli
André de Barros Faria

A hiperautomação já deixou de ser assunto exclusivo da área de tecnologia. De acordo com André de Barros Faria, CEO da Vert Analytics e especialista em tecnologia, o tema interessa a líderes que precisam reduzir atrasos, retrabalho e decisões baseadas em informação incompleta. A ideia é combinar automação, inteligência artificial e dados para melhorar processos inteiros.

Isso muda a pergunta que orienta os projetos. Em vez de perguntar qual atividade pode receber um robô, o decisor deve investigar como o trabalho começa, quais sistemas participam, onde surgem exceções e que resultado se espera. Uma automação rápida pode acelerar um processo mal desenhado.

O conceito reúne quatro fundamentos: descobrir o fluxo, escolher tecnologias, coordenar decisões e acompanhar efeitos. Essa sequência ajuda o público não técnico a avaliar propostas sem depender de jargões.

Hiperautomação não é apenas automatizar tarefas

Uma automação convencional executa uma tarefa repetitiva com regras previsíveis. Um robô pode copiar informações entre sistemas. A hiperautomação amplia o escopo: combina automação de processos robóticos, inteligência artificial, análise de dados e gestão de fluxos para conectar etapas separadas.

O ganho está na coordenação. Um documento pode ser recebido, interpretado, validado, encaminhado e registrado em outro sistema sem intervenção manual em cada etapa. Quando aparece uma exceção, a solução pode encaminhá-la a uma pessoa, preservando o controle humano.

André de Barros Faria destaca que o objetivo não é substituir todas as pessoas nem instalar tecnologia em cada área. É retirar esforço de atividades previsíveis e liberar tempo para análise, negociação, atendimento e resolução de problemas. A decisão sobre o que automatizar continua sendo empresarial.

O primeiro passo é enxergar o processo como ele funciona

André Faria propõe o seguinte cenário: imagine um fluxo de aprovação que deveria durar um dia, mas passa por planilhas, mensagens e sistemas sem integração. Antes de automatizá-lo, é preciso observar os caminhos reais, inclusive os desvios usados para contornar falhas. A investigação revela gargalos que não aparecem no desenho oficial.

André de Barros Faria
André de Barros Faria

A mineração de processos ajuda a analisar registros digitais e mostrar a sequência das atividades. O decisor não precisa operar a ferramenta, mas deve exigir respostas: onde o trabalho para, quais etapas geram retrabalho e qual problema merece prioridade.

Esse diagnóstico evita escolher a tecnologia antes de definir o resultado. Se a meta é reduzir o tempo de resposta, uma solução que apenas transfere dados entre telas talvez não resolva a causa do atraso. O processo deve orientar a ferramenta.

Como entram a IA e os agentes autônomos?

Em tarefas estruturadas, regras e integrações bastam. Documentos variados, mensagens de linguagem natural e decisões que dependem de contexto exigem inteligência artificial. A IA pode classificar informações, extrair campos, reconhecer padrões e sugerir encaminhamentos dentro dos limites da organização.

André de Barros Faria alude que os agentes autônomos de IA acrescentam capacidade de coordenação. Em vez de responder a um comando único, eles podem acompanhar uma meta, consultar fontes autorizadas, acionar etapas e pedir intervenção diante de uma situação fora do padrão. Isso não elimina a supervisão: exige permissões, critérios de escalonamento e registros das ações.

A Vert Analytics desenvolve tecnologia própria em inteligência artificial e hiperautomação, com destaque para agentes autônomos de IA. Para o decisor, o ponto relevante não é o rótulo da solução, mas a clareza sobre quais dados ela utiliza, que decisões pode tomar e como uma pessoa pode revisar ou interromper sua atuação.

Governança transforma automação em capacidade de negócio

Uma iniciativa bem desenhada precisa de indicadores antes da implantação. Tempo de ciclo, volume de retrabalho, taxa de exceções, qualidade dos dados e satisfação dos usuários ajudam a comparar o processo anterior com o posterior. Sem essa linha de base, a organização confunde novidade tecnológica com resultado.

A governança também define responsabilidades. Áreas de negócio conhecem regras e consequências; equipes técnicas cuidam de integração, segurança e manutenção. André Faria associa sua atuação à liderança em tecnologia e inovação, mas a responsabilidade por uma automação deve permanecer distribuída entre quem entende o processo, os riscos e os efeitos sobre pessoas e cidadãos.

Mais do que uma coleção de ferramentas, a hiperautomação é uma forma de administrar o trabalho. Quando a organização combina inteligência analítica, tecnologia própria e supervisão responsável, consegue identificar oportunidades com precisão e corrigir rotas. O resultado esperado é direto: operações claras, decisões consistentes e tempo humano dedicado ao que exige discernimento.

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