Sindnapi alerta: quedas na terceira idade são emergência silenciosa e têm prevenção

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Sindicato Nacional dos Aposentados

Nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil registrou mais de 62 mil internações de idosos por quedas, segundo dados do Ministério da Saúde. No ano anterior completo, esse número superou 344 mil atendimentos e internações, com 13.385 mortes registradas. São números que colocam as quedas entre as maiores emergências de saúde pública para a população idosa do país, mas que raramente recebem a atenção que uma crise desse tamanho merece. O Sindnapi, Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, inclui a prevenção de quedas entre as orientações de saúde que oferece aos associados, entendendo que acidentes domésticos não são inevitáveis.

O dado que mais surpreende é o local onde a maioria dos acidentes acontece. Em mais de 70% dos casos, a queda ocorre dentro de casa, em ambientes conhecidos como o banheiro, o quarto ou o corredor. A familiaridade com o espaço cria uma falsa sensação de segurança que leva à redução natural da atenção. Para os idosos, essa desatenção tem consequências muito mais graves do que para pessoas mais jovens: a fragilidade óssea aumenta o risco de fraturas, o tempo de recuperação é mais longo e, em muitos casos, a queda inicia um ciclo de imobilidade, perda de independência e isolamento que compromete de forma definitiva a qualidade de vida.

Por meio deste artigo, o Sindnapi explica por que as quedas são tão perigosas na terceira idade, como o monitoramento remoto pode ajudar na prevenção e quais adaptações simples no ambiente doméstico fazem diferença real na segurança do dia a dia.

Por que as quedas são mais perigosas na terceira idade?

A vulnerabilidade do idoso às quedas tem múltiplas causas. Com o envelhecimento, há redução natural da força muscular, do equilíbrio e da velocidade de reação, fatores que tornam mais difícil compensar um tropeço ou um escorregão antes que o impacto aconteça. A visão e o equilíbrio, que dependem de um sistema vestibular integrado, também se modificam com a idade, ampliando o risco em situações de pouca iluminação ou em superfícies irregulares, indica o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. A isso se somam os medicamentos: diuréticos, anti-hipertensivos, sedativos e antidepressivos, frequentemente usados por idosos com doenças crônicas, podem causar tontura, hipotensão postural e sonolência, aumentando consideravelmente o risco de acidentes.

Um estudo publicado no SciELO estimava que, caso o padrão de crescimento não fosse alterado, as internações por quedas no Brasil chegariam a 150 mil em 2025, gerando custos de cerca de R$ 260 milhões ao sistema de saúde. Os números reais do Ministério da Saúde confirmaram a tendência de crescimento. Do ponto de vista econômico e humano, o custo da prevenção é incomparavelmente menor do que o da internação e da reabilitação.

Sindicato Nacional dos Aposentados
Sindicato Nacional dos Aposentados

Como a telemedicina e o monitoramento remoto ajudam na prevenção?

A prevenção de quedas não se limita a adaptações físicas no ambiente doméstico, embora essas sejam fundamentais. O monitoramento remoto da saúde permite identificar fatores de risco antes que o acidente aconteça. Por meio de teleconsultas, o médico pode revisar a lista de medicamentos do idoso, identificar combinações que aumentam o risco de tontura, recomendar avaliação de equilíbrio e encaminhar para fisioterapia preventiva sem que o paciente precise se deslocar. Serviços de teleassistência, como os botões de emergência usados por idosos que moram sozinhos, também têm crescido no Brasil como ferramenta de resposta rápida em casos de queda já ocorrida.

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, por meio de seus Consultórios Digitais e dos programas Viver Saúde e Viver Mais Saúde, oferece aos associados acesso a acompanhamento médico remoto que inclui orientações preventivas desse tipo. A avaliação periódica da saúde, mesmo à distância, cria oportunidades regulares para discutir riscos que, de outra forma, só seriam identificados depois de um acidente.

O que fazer no ambiente doméstico para reduzir riscos?

As adaptações mais eficazes são simples e de baixo custo. Retirar tapetes soltos e objetos no chão das áreas de circulação elimina uma das principais causas de tropeços. Instalar barras de apoio no banheiro, especialmente ao lado do vaso sanitário e dentro do box, reduz o risco de quedas durante a higiene pessoal, uma das situações mais perigosas. Melhorar a iluminação nos corredores e escadas, com interruptores acessíveis e luzes noturnas, resolve boa parte dos acidentes que ocorrem em deslocamentos noturnos ao banheiro.

Além das adaptações físicas, três perguntas simples funcionam como um rastreio eficaz do risco: o idoso caiu nos últimos doze meses? Tem medo de cair? Sente instabilidade ao caminhar? Uma resposta positiva a qualquer uma delas já é indicação para avaliação médica. Especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares reforçam que esses sinais precisam ser tratados como alertas, não como parte normal do envelhecimento. Quedas não são inevitáveis. São eventos que, na maioria dos casos, poderiam ter sido prevenidos com atenção, informação e os recursos certos. O Sindnapi entende que chegar a essa informação a tempo faz toda a diferença. 

Sede Nacional: (11) 3293-7500 | WhatsApp: (11) 92007-9443.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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